Após retomar conversas com os EUA, prioridade do Brasil é ampliar lista de exceções ao tarifaço, diz ministro
21/08/2026
(Foto: Reprodução) Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante o programa “Bom Dia, Ministro”, na EBC
Júlio César Silva/MDIC
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, disse nesta sexta-feira (21), após conversa com o representante do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer, que a prioridade do Brasil é ampliar a lista de exceções ao tarifaço.
O representante do USTR ligou para o ministro brasileiro depois da conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump.
Na ligação, o presidente Lula pontuou que as tarifas afetam negativamente a economia dos dois países e ressaltou que a manutenção das negociações é o melhor caminho bilateral.
Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, o presidente americano concordou com a necessidade de preservar as relações comerciais e sugeriu que as equipes técnicas dos dois governos voltem a se reunir o mais brevemente possível.
"Combinamos de reservar dia e hora para falarmos na semana que vem. Ele disse que era a determinação do presidente Trump. Ficamos de alinhar a primeira conversa. Deveremos ajustar o caminho das negociações. Serão retomados os diálogos diretamente", disse o ministro Márcio Elias.
Tarifaço
Há pouco mais de um mês, os Estados Unidos aplicaram duas tarifas adicionais ao Brasil.
No primeiro caso, foi aplicada uma adicional de 25% a produtos brasileiros depois de investigação do governo dos Estados Unidos concluir que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os americanos.
Entre os exemplos citados na investigação estiveram o PIX e a regulação de plataformas digitais.
Depois, os Estados Unidos anunciaram a aplicação de uma tarifa extra de 12,5% às exportações brasileiras. A decisão foi resultado de outra investigação que concluiu que o Brasil e outros países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
As duas novas taxas resultaram em uma alíquota total de 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos.
Milhares de itens, porém, ficaram isentos das cobranças. Entre eles produtos importantes para a economia americana, como petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de calçados, máquinas, madeira e açúcar ficaram submetidos à tarifa máxima.
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Impacto sobre a economia brasileira
A Câmara de Comércio dos Estados Unidos e a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil) chegou a estimar que a tarifa anunciada sob a justificativa de falhas na proibição e fiscalização da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, "agrava as condições de acesso das exportações brasileiras ao mercado norte-americano".
Segundo a Amcham, a medida tem o potencial de atingir cerca de 3 mil produtos brasileiros, que somam US$ 12,5 bilhões em exportações anuais para os Estados Unidos.
A entidade afirmou que o cenário de sobretaxas comprometia a competitividade das exportações brasileiras para os Estados Unidos e elevaria os custos para empresas e consumidores norte-americanos, além de "fragilizar cadeias produtivas integradas entre os dois países e afetar os investimentos bilaterais".